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Carlos Coelho, director da Celtejo.

Portas abertas à comunidade

Existe uma preocupação genuína em apoiar o desenvolvimento local da região, ajudando diversas entidades e causas sociais.

Muitas empresas possuem como único objectivo ter um negócio rentável e acompanhar as mudanças dos ciclos económicos. Há outros aspectos que devem ser valorizados além da solvência da empresa, o seu impacto ambiental, iniciativas sociais e uma relação de transparência que permita o estabelecimento de boas relações com a comunidade na qual se insere.

A preocupação social faz parte da responsabilidade das organizações, atendendo ao papel que as empresas desempenham na sociedade. Este é o caso da Celtejo. Uma fábrica sediada em Vila Velha de Ródão, que trabalha 365 dias por ano, 24 horas por dia. A produção da fábrica não pára. Apesar de estar integrada num município de pequena densidade populacional, a fábrica e a vila nem sempre tiveram uma boa relação. Tudo mudou em 2011, quando a direcção da Empresa de Celulose do Tejo – Celtejo trouxe uma nova atitude e procedimentos.

A fábrica abriu as suas portas à vila dando início a uma nova fase de relacionamento que se mantém até hoje com a vila, o município e a região. “Não fazia sentido existir outra atitude”, conta Carlos Coelho, director da Celtejo. Essa proximidade é amplificada com mecanismos de transparência e de responsabilidade social, que reforçam a confiança entre a comunidade e a Empresa de Celulose do Tejo.

Em localidades de pequena dimensão, como Vila Velha de Ródão, esse elo é ainda mais importante. Esta unidade fabril emprega de forma directa cerca de 200 pessoas e é responsável por outros 50 postos de trabalho indirectos. Pelo peso que possui na vida da vila e da economia regional, quer na criação de emprego quer na riqueza criada, existe um relacionamento excepcional entre os colaboradores da Celtejo e a população e da administração com as diferentes entidades locais e regionais.

“A cultura de proximidade entre uma empresa e a comunidade na qual está inserida é de grande importância”, diz Carlos Coelho, que reconhece o trabalho de proximidade que foi feito e aborda a importância de continuar com as iniciativas de responsabilidade social que a Celtejo desenvolve anualmente. “Procuramos ter uma relação com a comunidade o mais próxima possível”, diz o gestor, sublinhando que todos os anos apoia cerca de 50 iniciativas anuais, apoiando diversas instituições e causas, além de receber uma média de 30 escolas, que todos os anos visitam a fábrica.

A cultura de proximidade entre uma empresa e a comunidade na qual está inserida é de grande importância

Carlos Coelho, Director, Celtejo

Corrida Solidária Celtejo

Trata-se de uma acção aberta a toda a população. Cada inscrição custa 2,50 euros. O valor arrecadado é doado a uma entidade que apoia causas sociais. A primeira edição da Corrida Solidária Celtejo contou com a participação de 500 pessoas e o dinheiro foi canalizado para os Bombeiros Voluntários de Vila Velha de Ródão. A segunda edição teve 700 pessoas, entre as quais o atleta paraolímpico Gabriel Macchi. O apoio da segunda edição foi canalizado para a Santa Casa da Misericórdia de Vila Velha de Ródão.

“Se tiver em conta que a vila possui uma população residente de cerca de 1.700 pessoas, ter 700 pessoas numa iniciativa deste género é um grande sucesso”, conta Carlos Coelho. Apesar de o nome da iniciativa ser Corrida Solidária, os participantes podem fazer todo o percurso a caminhar. O gestor sublinha que o mais importante “é participar e dar um pequeno contributo a entidades que ajudam a sociedade local”.

Melhorias na fábrica e na vila

Com o investimento de 85 milhões de euros que a Celtejo está a realizar, uma vez concluídos os projectos, a fábrica será mais eficiente e a vila também vai sair beneficiada. A nova caldeira de recuperação, instalação de redução de vapor, vai permitir utilizar vapor de água para aquecer o edifício da Santa Casa da Misericórdia de Vila Velha de Ródão, que fica a cerca de 500 metros em linha recta da Celtejo. Ao abrigo desta iniciativa foi assinado um protocolo de cooperação entre as duas entidades através do qual a empresa se compromete a transferir calor para as instalações da Santa Casa, o que permitirá aquecer as águas sanitárias e o edifício.

Para este efeito vai ser criado um circuito de água entre os dois edifícios. A Santa Casa da Misericórdia envia água fria para a fábrica da Celtejo, e na fábrica, essa água é aquecida e enviada novamente para as instalações da Santa Casa.

O protocolo estabelecido entre as duas entidades resultará numa poupança anual em energia para a Santa Casa na ordem dos 100 mil euros ano. Carlos Coelho estima que este projecto possa estar concluído no fim de 2017. Outra melhoria que será significativa para Vila Velha de Ródão é a entrada em funcionamento de uma nova estação de tratamento de águas residuais industriais (ETAR) de última geração que dá pelo nome de Tejo Project 2018. A estação vai permitir tratar, além das descargas da Celtejo, as águas residuais das queijarias localizadas na zona industrial de Vila Velha de Ródão, ajudando outras empresas a cumprirem as suas obrigações ambientais.

A unidade de produção da Celtejo, em Vila Velha de Ródão
A unidade de produção da Celtejo, em Vila Velha de Ródão

Proximidade com a escola e a universidade

A fábrica abre a porta a cerca de 30 escolas por ano. A visita inclui a explicação do que acontece em cada área e de como se produz a pasta de papel. Para complementar essa acção lúdica, as crianças são entretidas com um conjunto de iniciativas e brincadeiras. O apoio e a relação com as escolas não se ficam por aqui. No caso do Agrupamento de Escolas de Vila Velha de Ródão, a Celtejo equipou o laboratório de Física e Química com uma bancada nova para a realização de ensaios.

A associação com as entidades de ensino superior também é de grande proximidade. No caso da Universidade da Beira Interior (UBI), a Celtejo também apoiou a remodelação do seu laboratório e estabeleceu um acordo de parceria que permite utilizar os laboratórios da universidade como uma extensão do laboratório interno da Celtejo, enviando funcionários ou amostras, sempre que o laboratório da Celtejo se encontre sobrelotado de trabalho.

Os protocolos com as universidades da região são diversos. A lógica por trás destas acções com a universidade é sempre a mesma, “desenvolver sinergias entre a empresa e a academia”, diz Carlos Coelho. Na UBI, a empresa possui um engenheiro a fazer o doutoramento e há dois alunos que estão a finalizar o doutoramento e que podem vir a integrar os quadros da Celtejo.

Com o Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) existe outro protocolo através do qual  quatro novos encarregados gerais estão a tirar a licenciatura. Para se ter uma melhor noção da proximidade entre a empresa e o IPCB basta olhar para o curso de Engenharia Industrial do IPCB, que está a ser leccionado em grande parte nas instalações da Celtejo. Carlos Coelho explica que o objectivo para o próximo ano lectivo é “que todo o curso seja ministrado nas instalações da Celtejo, atendendo a que todos os operadores que a fábrica recrutará no futuro serão licenciados”. O requisito mínimo de escolaridade para esta função é o 12.º ano, mas existe vontade de evoluir para a licenciatura como escolaridade mínima. “O IPCB está a ser uma peça fundamental para dar seguimento a esta estratégia”, comenta Carlos Coelho. Além desta iniciativa há outros protocolos com a escola de Artes do IPCB, o que permite, sempre que há eventos da Celtejo, a deslocação de alunos ou professores para animar o ambiente.

Com a Escola de Saúde do IPCB existe um acordo que faz com que semanalmente um fisioterapeuta se desloque à Celtejo para fazer massagens, normalmente um professor e um aluno. “É uma iniciativa muito apreciada pelos colaboradores atendendo ao facto de as marcações na agenda estarem sempre cheias”, diz o nosso interlocutor.

A relação com as universidades e com a região é tão próxima que Carlos Coelho, na qualidade de director da Celtejo, foi convidado a integrar o conselho geral do IPCB e da UBI. O conselho-geral é o órgão que elege o presidente ou o reitor. Além desta atribuição possui outras funções, tais como propor iniciativas ou avaliar a acção do presidente e do conselho de gestão.