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Rendibilidade acompanhada de preocupações ambientais

O director geral da CELPA, Carlos Amaral Vieira, explica que a indústria papeleira assenta a sua actividade num modelo de economia circular (redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia).

É uma indústria ambientalmente sustentável?
A indústria papeleira apresenta características que a tornam única do ponto de vista da sustentabilidade florestal e ambiental. Baseia-se na exploração de um recurso natural,  renovável e com características de absorção de carbono. Gera produtos várias vezes recicláveis e biodegradáveis. Poucos produtos ou materiais podem exibir esta assinatura: serem provenientes de uma fonte natural, renovável, e, serem recicláveis e biodegradáveis.

A indústria papeleira assenta, por isso, a sua actividade num modelo de economia circular (redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia). É mesmo, desde sempre e pela natureza dos seus processos produtivos, um paradigma de circularidade. As unidades industriais e o seu modelo de negócio integram, de há longa data, muitas das características da chamada Indústria 4.0.

Que desafios se colocam à indústria papeleira portuguesa?
A indústria é já hoje exemplar nos seus processos produtivos, que gere de acordo com as melhores práticas e garantindo eficácias e eficiências operacionais muito elevadas. É provavelmente um dos sectores industriais mais escrutinado e que cumpre rigorosos e exigentes requisitos ambientais que igualam ou excedem os presentes nos seus parceiros europeus.

As ameaças à sua competitividade estão na situação da floresta portuguesa e, em particular, na produtividade florestal muito baixa, na presença de certificação da gestão florestal muito incipiente (as florestas da indústria são honrosas excepções) e na ameaça dos incêndios rurais. Existe, em Portugal, uma ausência de gestão activa e falta de reconhecimento e valorização económica da floresta, dos seus empregos, profissões e produtos.

O que é preciso melhorar no sector?
Importa aumentar a produtividade dos povoamentos e a eficiência das operações florestais. É  necessário reduzir o défice de matéria-prima florestal, aumentar a oferta de madeira  certificada e a prevenção e o combate aos incêndios rurais sob gestão única e profissional. Por último, melhorar a reputação do sector junto da opinião pública e política.

É possível desenvolver a indústria respeitando a sustentabilidade ambiental e económica do País?
Claro que sim. Seguindo as melhores práticas, ouvindo os parceiros, investindo e melhorando continuamente. O desempenho económico positivo que a indústria tem vindo a alcançar tem sido acompanhado por uma preocupação crescente com o ambiente.

Como são incorporadas na gestão corrente das empresas as questões ambientais?
De várias formas, como a utilização das melhores técnicas e tecnologias disponíveis aplicadas na generalidade das instalações ou na adopção de práticas voluntárias que minimizam os impactos da indústria, nomeadamente, através do desenvolvimento de acções de formação junto dos fornecedores, dos proprietários florestais privados e de outras parcerias de negócio.

Ou com a criação de políticas que incutam as regras que são definidas pelas empresas da indústria ao longo da cadeia de valor, e ainda através de um forte envolvimento nas discussões com as autoridades, quer nacionais quer europeias, sobre os vários temas do foro ambiental e económico, e cujos desenvolvimentos têm uma forte influência no futuro do sector.

Nas nossas associadas existe uma atitude extremamente responsável e cumpridora dos gestores, quadros e operadores, e de toda a restante comunidade fabril, no dia-a-dia das operações.

Quando surgiram as especificações ambientais na indústria?
As empresas iniciaram fortes investimentos do foro ambiental nos anos 80. A valorização da biomassa (casca de madeira e resíduos florestais) para auto-abastecimento energético, através das unidades de co-geração – em alternativa à utilização de combustíveis fósseis –, teve um resultado significativo quando comparado com outros sectores nacionais também fortemente consumidores de energia.

No que respeita à floresta, e reconhecendo que ela é crucial para a sustentabilidade global do planeta – contribuindo para combater as alterações climáticas –, as associadas da CELPA desenvolvem a sua actividade tendo por base a gestão florestal sustentável das plantações. Estima-se que as florestas geridas pelas associadas da CELPA tenham fixado um valor de carbono equivalente superior a 5,7 milhões de toneladas de CO2, em 2015. (tal valor é equivalente às emissões de 1,5 milhões de automóveis a dar a volta ao mundo).

Nove medidas para reduzir impacto ambiental

  1. Substituição de combustíveis fósseis por biomassa;
  2. Substituição de fuelóleo por gás natural;
  3. Novos tratamentos biológicos dos efluentes;
  4. Melhoria da eficiência energética dos processos;
  5. Atenuação da incomodidade do ruído e dos odores;
  6. Instalação de tecnologias que possibilitam a redução do consumo de água, que reduzem o impacto das emissões atmosféricas e diminuem resíduos;
  7. Gestão adequada, activa e profissional, das áreas florestais;
  8. Utilização de plantas melhoradas de eucalipto;
  9. Prevenção e combate a incêndios florestais.