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Carlos Amaral Vieira, director-geral da Associação da Indústria Papeleira

Representar os valores e a importância da indústria papeleira nacional

O volume de negócios dos associados da CELPA em 2016 foi de 2.538 milhões de euros. Este cluster cria 90 mil empregos de forma directa, indirecta e induzida. Números que atestam a importância estratégica do sector para a economia e para o território português.

A Associação da Indústria Papeleira (CELPA) resultou da fusão, efectuada em 1993, entre a ACEL (Associação das Empresas Produtoras de Pasta de Celulose) e a FAPEL (Associação Portuguesa de Fabricantes de Papel e Cartão). Trata-se de uma entidade sem fins lucrativos que reúne o grupo Altri, Europa&C (Kraft Viana), The Navigator Company e Renova.

As empresas associadas da CELPA são responsáveis por 100% da produção nacional de pastas para papel de fibra virgem e cerca de 80% da produção nacional de papéis. Transformam anualmente cerca de 8 milhões de metros cúbicos de madeira de eucalipto e de pinho e gerem cerca de 199.000 hectares, em propriedades próprias e arrendadas, na esmagadora maioria com gestão florestal certificada (FSC e PEFC).

Carlos Amaral Vieira, director-geral da Associação da Indústria Papeleira, aborda em entrevista à Altri News o papel que a entidade que dirige desempenha na promoção e defesa dos interesses colectivos da actividade industrial da pasta, papel e cartão e actividades afins, junto de entidades e organismos nacionais e internacionais, públicos e privados e destaca a importância estratégica deste cluster para Portugal.

Como se encontra o sector da pasta, papel e cartão em Portugal?
É reconhecido que a indústria portuguesa da pasta, papel e cartão tem relevante interesse estratégico para Portugal.

O sector industrial de produção de pasta e de papel assume uma enorme importância na economia portuguesa, com especial realce para o mercado das exportações, sendo um dos maiores exportadores de valor acrescentado nacional. Assenta a sua actividade num respeito rigoroso pelos bens naturais e ecossistemas, nomeadamente o solo, a água, o ar, a floresta e a biodiversidade.

Representa uma fileira de base florestal que utiliza matéria-prima nacional e renovável e que exporta a quase totalidade da sua produção para cerca de 140 mercados. Concorre num mercado mundial extremamente competitivo e contribui para a redução do défice da balança comercial do País.

É o segundo ou terceiro maior sector exportador líquido de bens transaccionáveis de Portugal. Em 2015 e 2016, segundo o INE, o sector “pastas celulósicas e papel” foi o segundo sector com maior saldo na balança comercial, atrás dos “minerais e minérios”.

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A indústria abastece-se, em cerca de 70% das suas necessidades de matéria-prima, junto de largas centenas de produtores e proprietários florestais nacionais para quem esse rendimento é determinante. Temos uma boa história para contar!

Como classifica as pastas e os papéis produzidos em Portugal?
São líderes de qualidade no mundo, não só pela muito elevada tecnologia presente nas unidades industriais, mas sobretudo pela excelência da fibra de eucalipto globulus, a espécie florestal que o País tem a virtude de ter no seu território.

A indústria papeleira tem a capacidade de promover as exportações, de equilibrar a balança comercial e de contribuir para a dinamização socioeconómica do País e para o desenvolvimento do tecido empresarial do interior abandonado. Fá-lo com a criação de emprego e valor, de forma directa e indirecta, através de diferentes oportunidades de negócio, que vão da comercialização de bens e serviços florestais à prestação de serviços vários em territórios onde as alternativas de rendimento são escassas.

A indústria abastece-se, em cerca de 70% das suas necessidades de matéria-prima, junto de largas centenas de produtores e proprietários florestais nacionais para quem esse rendimento é determinante. Temos uma boa história para contar!

Qual é o projecto mais importante do sector?
Um dos projectos mais importantes que temos actualmente em mãos é o Projecto Melhor Eucalipto. O principal objectivo é transmitir as melhores práticas de gestão florestal seguidas pela indústria papeleira a produtores, proprietários, associações e técnicos florestais, de forma a promover a melhoria da produtividade florestal e da sua influência ambiental e social (o slogan é: Respeito Ambiental, Ganho Natural.

Como analisa a evolução das exportações da produção dos vossos associados nos últimos dois anos?
A qualidade dos produtos papeleiros portugueses tem permitido que a tendência de crescimento verificada na última década se tenha mantido, apesar da retracção no consumo e da crise económica sentida um pouco por toda a Europa.

Segundo os últimos dados disponíveis, as exportações de pasta atingiram 1,2 milhões de toneladas em 2016 e as vendas externas de papel e cartão fixaram-se em 2,15 milhões de toneladas.

Qual foi o volume de negócios do sector em 2015 e 2016?
O volume de negócios dos associados da CELPA foi de 2.647 milhões de euros em 2015 e de 2.538 milhões em 2016.

Quantas fábricas de associados existem em Portugal?
Existem nove fábricas dos associados em Portugal.

Quantos hectares de floresta possuem os associados da CELPA?
As empresas associadas da CELPA são responsáveis pela gestão directa de cerca de 199 mil hectares, em propriedades próprias e arrendadas, o que corresponde a 2,2% do território nacional. Destes, 165 mil hectares estão ocupados com floresta (152 mil com eucalipto, 7 mil hectares com sobreiro e 6 mil hectares com pinheiro-bravo), o que representa 5,2% da floresta nacional.

Esses hectares são geridos directamente ou por produtores florestais a quem compram matéria-prima?
Essa área é gerida directamente. A evolução da área florestal das associadas da CELPA resulta tanto de alterações fundiárias (compra e venda de património, cessação e celebração de contratos de arrendamento) como de alterações do perfil de ocupação do solo nas áreas existentes.

Quantas pessoas emprega este cluster?
Os associados da CELPA empregam directamente cerca de 4.000 trabalhadores e representam cerca de 90 mil postos de trabalho directos, indirectos e induzidos.

Em termos de produção qual é a realidade do sector em Portugal face à Europa?
Em 2016, a produção europeia de pastas papeleiras aumentou 2,7% face a 2015, tendo-se fixado em 37,2 milhões de toneladas. Portugal é o terceiro maior produtor europeu de pasta, representando 7,3% do total da pasta produzida em solo europeu. No que respeita ao papel, Portugal ocupa o 11.º lugar do ranking de produtores europeus de papel e cartão, com 2,5% do total.

Uma análise por tipo de papel revela que o País é o segundo maior produtor europeu de papel não revestido (UWF – Uncoated WoodFree Fine Papers), com 18,3% da produção total deste tipo de papel.

Quais são as principais tendências de evolução do sector ao nível internacional?
Durante os anos recentes, a produção de papel e cartão dos 18 membros da CEPI (Confederação Europeia da Indústria de Pasta e Papel) tem sido mantida relativamente estável, com redução marginal ao nível dos 91 milhões de toneladas. Atendendo a que a capacidade instalada é da ordem dos 100 milhões de toneladas, isso significou, em 2016, uma operating rate de 90,6% (91,1% em 2015).

Em termos mundiais, as produções em 2016 no Brasil, EUA e Canadá registaram reduções em relação ao ano anterior. No Japão, Coreia do Sul e China verificaram- -se aumentos. As variações percentuais não ultrapassam, porém, o valor absoluto de 1,6%.

Houve um aumento do consumo de que tipos de papel?
Os papéis de embalagem, de higiene/doméstico e algumas especialidades viram aumentar a sua produção e consumo. No sentido oposto, os papéis de jornal e para impressão e escrita viram reduções na sua produção e no consumo.

O papel de jornal viu uma queda de produção de 6,7% em relação a 2015. As Uncoated Woodfree Grades (UWF), em que se incluem os papéis de escritório e os papéis offset para a indústria gráfica, mantiveram uma relativa estabilidade na procura, na Europa.

A produção de pastas papeleiras na Europa em 2016, e após alguns anos em queda, viu um aumento de 2,7% totalizando 37,2 milhões de toneladas, das quais 25 milhões de pastas químicas ao sulfato. As fibras provenientes de papel para reciclar representaram nesse mesmo ano cerca de 46% da matéria-prima utilizada na produção papeleira nos países membros da CEPI. Já as fibras virgens obtidas a partir de material lenhoso, as pastas virgens papeleiras, representaram cerca de 40%.