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Sofia Rebola, analista especializada de laboratório, e Paulo Caetano, técnico de formação e desenvolvimento organizacional

Voltar a estudar

Adquirir conhecimentos é importante em qualquer fase da vida. Retomar o estudo é para muitos uma prova de sacrifício e superação. Um esforço necessário com o objectivo final de crescer intelectualmente, trabalhar e viver melhor.

Aristóteles, filósofo grego, referia que “não há só um método para estudar as coisas”. O engenheiro, cientista e homem da renascença e dos mil ofícios, Leonardo da Vinci, incentivava os seus discípulos a ultrapassar a qualidade do mestre. A ideia era promover o estudo para adquirir conhecimento. O saber não ocupa lugar e melhora o desempenho do trabalho de uma pessoa. Por este motivo muitas empresas facilitam aos seus colaboradores/empregados a possibilidade de melhorarem o seu conhecimento. A Celbi é um desses casos. É uma das empresas portuguesas que encara o desenvolvimento das competências dos seus  olaboradores como um desafio estratégico.

A melhoria contínua e os objectivos de posicionamento da empresa estão, para os seus responsáveis, intimamente dependentes das competências de todos os que nela trabalham, qualquer que seja a área ou o nível de responsabilidade.

Estamos numa sociedade que privilegia as competências e o talento como factor de vantagem comparativa sustentável. A questão central para as empresas mais avançadas não é tanto o número de pessoas que empregam mas a qualidade dos seus recursos humanos.

“Uma empresa não se distingue pelo tamanho do seu efectivo, mas por conseguir atrair e reter colaboradores de elevada competência. Do mesmo modo, um trabalhador não vale pelo facto de estar disponível para trabalhar, mas pelas competências que é capaz de oferecer”, diz António Jorge Pedrosa, gestor do departamento de Recursos Humanos da Celbi.

Nesse sentido, saber gerir bem as pessoas e potenciar o seu desempenho é hoje o grande diferencial competitivo das organizações. Os recentes projectos de investimento, e as consequentes alterações tecnológicas, tornaram o processo de fabrico da Celbi mais complexo. Tal facto convidou a empresa a adoptar uma estratégia de recrutamento, valorização e qualificação dos seus trabalhadores, orientada para enfrentar os desafios futuros. António Jorge Pedrosa refere que “essa estratégia está assente em três vectores: desenvolver as competências, potenciar o desempenho de elevado nível e atrair e reter os melhores”.

O esforço e investimento que a empresa tem realizado na formação nos últimos anos é um exemplo. “Com mais de 9.000 horas de formação no ano 2017, em áreas técnicas e específicas, relacionadas com o processo de fabrico e de enorme complexidade, ou em áreas comportamentais e de gestão, o objectivo tem sido muito simples: ter os melhores e mais bem preparados profissionais do sector”, diz o responsável.

Nem sempre a realização de programas à medida devolve tudo o que a empresa deseja e necessita. Há ocasiões em que é necessário apostar noutras vertentes de formação e qualificação, recrutando pessoas mais qualificadas ou incentivando e apoiando o regresso dos trabalhadores à escola ou à universidade. “Resultante do trabalho de renovação do nosso quadro de pessoal, 28% dos trabalhadores da empresa têm hoje idade inferior a 35 anos e mais de 35% têm habilitações de nível superior, licenciatura ou mestrado, contrastando com o ano 2010 em que esse número era apenas de 24%”, conta António Jorge Pedrosa.

Esse número não é alheio ao facto de, nos últimos sete anos, a empresa ter contratado 35 jovens, para as diferentes áreas da empresa, com formação superior, tendo 24 destes realizado estágios curriculares e/ou profissionais na Celbi.


Um trabalhador não vale pelo facto de estar disponível para trabalhar, mas pelas competências que é capaz e oferecer

António Jorge Pedrosa, gestor do departamento Recursos Humanos da Celbi

Em meados do ano passado, a Celbi admitiu quatro mulheres, com formação universitária para a sua área de Produção, que após o contacto com a base da operação, as equipas e o trabalho por turno, se encontram a cumprir um programa de formação específica para a condução de diferentes instalações processuais. António Jorge Pedrosa refere que “aquilo que numa primeira impressão pode parecer a promoção da igualdade é, uma vez mais, o reforço das qualificações e das competências da empresa”.

Encontrar o equilíbrio na vida pessoal, profissional e no estudo

São vários os casos de trabalhadores da Celbi que decidiram regressar à escola ou à universidade. Alguns por livre iniciativa, outros aceitando o desafio da empresa. Nos últimos 15 anos, 32 trabalhadores que ainda estão no activo regressaram aos estudos, 25 dos quais a cursos superiores.

“Temos consciência de que estudar e trabalhar ao mesmo tempo pode ser um enorme desafio. Se durante o dia-a-dia conjugar estas duas realidades é uma tarefa difícil de superar, quando a época de exames ou de testes se aproxima, a pressão aumenta”, reconhece o gestor do departamento de Recursos Humanos, acrescentando que tentam acompanhar, de perto cada caso e, sempre que possível, ou solicitado, a Celbi vai um pouco mais além do que o simples cumprimento do que prevê o estatuto do trabalhador-estudante. Sofia Rebola, analista de laboratório especializada, acabou o mestrado pré-Bolonha em 2005. Quando entrou para o quadro de efectivos da Celbi decidiu, a título pessoal, começar a tirar o mestrado de Controlo Químico de Qualidade e Ambiente, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. “Este mestrado adequava-se perfeitamente às funções que desempenhava na altura e foi uma boa continuação e enriquecimento cultural e profissional”, explica a analista.

O início do doutoramento na Universidade de Aveiro foi uma proposta da empresa que aceitou de imediato. Está no segundo ano do doutoramento. “É uma excelente oportunidade pessoal e profissional que vai permitir o desenvolvimento de um conhecimento específico na área e, consequentemente, uma mais-valia para a Celbi.” O contacto com o meio académico possibilita o desenvolvimento de um sentido crítico em relação ao trabalho e a toda uma área de conhecimento.

A empresa apoia Sofia Rebola nas despesas de deslocação e nas propinas. Na época de exames, a empresa facilita-lhe o recurso a horas de estudo. Apesar do apoio, retomar o estudo em fase adulta não é fácil. A analista de laboratório especializada reconhece que o mais difícil de voltar a estudar é gerir o tempo. “Os meus filhos ainda são pequenos e requerem muita atenção, por isso tenho de conciliar as horas de estudo com os horários deles. Espero que este esforço permita ter mais oportunidades de progressão na carreira.”

Motivação pessoal premiada após uma década

Outro exemplo de superação e sacrifício é o de Paulo Caetano, técnico de Formação e Desenvolvimento Organizacional. Trabalha na Celbi há 27 anos. Foi operador da Desmineralização e Abastecimento de Águas, passou para Operador dos Concentradores/Evaporadores e Tratamento de Condensados e depois para a Caldeira de Casca que foi a última instalação que teve no SRE. A determinada altura sentiu que podia adquirir conhecimentos numa área que lhe despertava interesse e encarou a licenciatura em Psicologia como um desafio. Tirou o curso há 11 anos. Acabou em 2006, admitindo que foram tempos difíceis por não ter ritmo de estudo. “O ritmo e os turnos de trabalho implicaram muitas horas extras para estudar, o que obrigou a um grande esforço, e mesmo sacrifício até por parte da minha mulher”, diz Paulo Caetano. Nessa altura já tinha filhos e entre o trabalho e o estudo não conseguia estar presente para os ajudar. “Foram uns anos de grande esforço familiar e tenho a plena consciência de que, sem o apoio da minha mulher, teria sido impossível a licenciatura.”

O técnico de Formação e Desenvolvimento Organizacional reconhece que a Celbi o ajudou imenso, quer na gestão dos horários para estudo e exames, quer na execução do estágio curricular. “Teria sido muito difícil concluir a licenciatura em Psicologia sem esse apoio e, principalmente, sem a grande disponibilidade que o então responsável pelo Departamento de Recursos Humanos, Silva Tavares, demonstrou.”

Quando finalizou o curso não havia nenhuma perspectiva para melhoraria de carreira. Esteve sempre convencido de que com uma licenciatura poderiam surgir mais oportunidades. Quase 10 anos passados desde a conclusão do curso, foi convidado para trabalhar no departamento de Recursos Humanos da Celbi e hoje é técnico de Formação e Desenvolvimento Organizacional.