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Figueira da Foz Port

mais de 50% das vendas de pasta de papel da Altri são movimentadas pelo Porto da Figueira da Foz

Porto da Figueira: um presente para o futuro

O porto da Figueira da Foz é uma infraestrutura fulcral para as nossas operações na medida em que mais de 50% das vendas de pasta de papel da Altri são ali movimentadas (54% em 2019). Para além da pasta de papel, o grupo mantém na Figueira uma operação regular de descarga de rolaria de eucalipto para além da exportação de linho sulfonato.

Este envolvimento destaca-nos como principal cliente do porto com cerca de 40% do total movimentado na Figueira. Por conseguinte, é fundamental acompanhar a saúde deste porto e da sua envolvente: a Altri tem aqui um papel muito ativo seja através da sua participação direta no capital do principal operador portuário da Figueira da Foz (Operfoz) seja na participação ativa na Comunidade Portuária, à qual neste momento preside.

Passado e presente

O porto da Figueira da Foz quebrou a barreira psicológica dos 2 milhões de toneladas, em 2013, e atingiu o máximo histórico em 2014. O “milagre” de crescimento registado entre 2008 e 2014, e que justificava a aposta no prolongamento do molhe norte, trazia números impressionantes: em 2014 suplantava-se o movimento de 2008 em mais de 1 milhão de toneladas (+87%).

Nesse período, a Altri concretizava importantes investimentos em todas as suas unidades industriais, especialmente na Celbi, e esse aumento de capacidade seria exportado através da Figueira e contribuiria decisivamente para o referido “milagre”. Em 2014, o grupo movimentava na Figueira mais 630.000 toneladas do que em 2008, sendo o maior contribuinte para o referido crescimento. Simultaneamente, assumíamos desde então a liderança destacada do movimento do porto com uma quota média de 40%.

Nos últimos cinco anos o movimento na Figueira caiu em média 1,4% ao ano, o que não colocaria em causa o modelo de sustentabilidade do porto concebido para operar acima de 1,8 milhões de toneladas. Este desempenho justifica-se por três fatores:

  1. Inexistência de novos projetos industriais regionais com impacto na atividade portuária;
  2. Forte dependência de segmentos de carga em queda, nomeadamente carga geral fracionada e outros granéis sólidos (91%), que em Portugal sofreram quedas acentuadas nos últimos 5 anos;
  3. Baixa presença no segmento de carga contentorizada, que cresceu a um ritmo de 7% ao ano, e onde temos uma quota nacional de apenas 0,5%.

Futuro

Se um dos pontos fortes do porto é a existência no seu hinterland natural de carga-âncora que permite a manutenção da atividade atual, as ameaças ao seu crescimento resultam do seu limitado acesso marítimo (6,5 metros; 120 metros comprimento) e da instabilidade do mesmo (episódios de redução de calado são ainda recorrentes).

Para alavancar a atividade do porto é, portanto, fundamental atuar sobre as limitações da acessibilidade marítima. É neste contexto que surge o novo projeto de melhoria de acessibilidade marítima ao porto que, com um investimento de 19 M€, e conclusão para 2021, prevê aumentar o calado de 6,5 metros para 8 metros permitindo receber navios de 140 metros (vs. 120 metros atualmente).

Segundo o plano de negócios subjacente, existe atividade económica no hinterland natural do porto que justifica este investimento. Por outro lado, as novas formas de protecionismo comercial abrem um novo paradigma para a atividade portuária regional e antevê-se ainda uma maior transferência modal para o transporte marítimo de curta distância, dado o seu considerável avanço em termos de sustentabilidade.

Há, portanto, motivos para que todos os stakeholders do porto estejam otimistas quanto ao sucesso desta iniciativa, dado que estabilizará o acesso marítimo num patamar superior permitindo lutar por outra tipologia de carga, nomeadamente, segundo o estudo, a contentorizada.

Mas temos de estar todos conscientes que após este investimento o movimento portuário na Figueira tem de crescer substancialmente sob pena de termos um porto menos competitivo e insustentável.