Partilhe nas Redes Sociais

Miguel Coelho assumiu a direcção de Tecnologias de Informação do Grupo Altri em Fevereiro de 2018

Um Simplex para a Altri

Consolidar, optimizar, normalizar, simplificar e automatizar processos e infra-estrutura. Esta é a visão que Miguel Coelho, director de Tecnologias de Informação da Altri, quer implementar. Parecem tarefas simples de aplicar mas não o são. Os primeiros passos já estão a ser dados

A indústria europeia de papel e celulose acompanhou muito de perto as três principais fases da transformação industrial desde o século XVIII. Da energia do vapor à energia eléctrica, passando pela integração progressiva da automação e das tecnologias de informação, a indústria de papel de hoje está pronta para aceitar os desafios da Indústria 4.0.

Os novos desafios desta transformação digital estão relacionados com quantidades de dados massivas (big data), com a capacidade de ligação ao longo de toda a cadeia de valor em tempo real (Internet das Coisas) e com a existência de fábricas inteligentes (smart factories).

Miguel Coelho assumiu a direcção de Tecnologias de Informação (TI) do Grupo Altri em Fevereiro deste ano. No percurso de que traçou para a empresa está a garantir o equilíbrio tecnológico em todas as unidades fabris, identificando a unidade com as melhores práticas em cada sistema ou processo e replicando­‑as nas restantes unidades, quando isso faça sentido.

No que diz respeito às TI, o caminho é de sentido único. Consolidar sistemas, processos e aplicações para diminuir o risco de ter unidades fabris menos actualizadas. Desta forma todas as fábricas poderão tirar partido de uma arquitectura empresarial comum. Uma situação que permitirá que as equipas locais dediquem mais tempo a apoiar as áreas de negócio a procurar soluções que respondam a novos desafios, em vez de dedicarem tempo a problemas de capacidade, disponibilidade ou obsolescência tecnológica.

Em entrevista, Miguel Coelho dá a conhecer a visão tecnológica que pretende implementar no Grupo Altri e os desafios que o departamento de TI da Altri tem pela frente. O tema de partida desta conversa em discurso directo.


Quais são os principais desafios que a Altri enfrenta actualmente?
O mundo actual enfrenta inúmeros desafios, e a Altri não é excepção. Alterações ambientais, mudanças demográficas estruturais e a escassez de recursos afectam toda a indústria de uma forma transversal e global. Ao mesmo tempo a concorrência com origem noutras geografias tem aumentado, forçando continuamente as empresas a serem cada vez mais eficientes e competitivas, isso aumenta a pressão sobre as regiões com custos de produção mais elevados.


Que papel desempenham os sistemas de informação na resposta a esses desafios?
O grupo não pode aceitar riscos provocados pela falta de qualidade da informação. A quantidade de informação aumenta exponencialmente vinda de fornecedores, de sistemas de informação produtivos, de clientes, reguladores. O Grupo Altri deve construir boas práticas de “inteligência de informação”, a partir de tecnologias já disponíveis de análise de dados baseadas em machine learning, por exemplo. Esta informação permitirá antecipar alertas de potenciais ameaças ou identificar potenciais oportunidades de negócio.

Desta forma a informação recolhida, devidamente filtrada e correlacionada, maximizará o seu valor, e as boas práticas de inteligência de dados ajudarão a garantir o sucesso de outras iniciativas de transformação digital.

Este é um papel essencial que os sistemas de informação devem desempenhar: fiabilidade e disponibilidade da informação.


Qual é a missão da Direcção de Tecnologias da Informação do Grupo Altri?
A nossa missão passa por ser um parceiro estratégico para as diferentes áreas de negócio. Apesar de a própria função de TI ter mudado nos últimos 20 anos, acredito que já somos considerados um parceiro insubstituível na procura e na implementação de novas soluções para os desafios cada vez maiores de cada área.


A quem reporta na estrutura da Altri?
A Direcção de TI reporta directamente a Nogueira Santos, que lidera a área administrativa, financeira e os serviços partilhados do Grupo Altri.


Quantas pessoas trabalham na área dos sistemas de informação?
A nossa área tem 13 colaboradores, separados geograficamente pelos vários sites do grupo, mas unidos por um objectivo comum: prestar um serviço de excelência aos nossos clientes internos. Se contribuirmos para a satisfação dos nossos clientes internos, sentimos que estamos também a contribuir para o sucesso e para alcançar os objectivos definidos pelo Grupo.


Quantos parceiros possuem em outsourcing?
A nossa estratégia passa por manter parcerias fortes e duradouras com empresas tecnologicamente inovadoras, visionárias e socialmente responsáveis como a SAP, a IBM ou a Microsoft.

Os nossos serviços internos são complementados por serviços mais especializados da Roff (SAP), IBM (Maximo), Claranet (sistemas de data center e segurança), Cilnet (redes), Inflor (SGF) e um parceiro local que mantém alguns sistemas de satélite (para gestão de matérias­‑primas).

Nas tecnologias de comunicação o nosso parceiro é a Meo, que suporta toda a nossa rede de dados e voz (fixa e móvel). Estamos, no entanto, sempre disponíveis para estabelecer novas parcerias que acrescentem valor à nossa operação e que contribuam com soluções inovadoras para os nossos desafios.

Miguel Coelho, director de Tecnologias de Informação da Altri
Miguel Coelho, director de Tecnologias de Informação da Altri

Em média, quantos projectos de sistemas de informação desenvolve a Altri por ano?
Além da melhoria contínua em todos os sistemas de informação locais ou corporativos, a Altri desenvolve anualmente cerca seis projectos.


Qual é a duração média desses seis projectos e quantas pessoas estão alocadas, em média, a cada um deles?
O tempo e o número de pessoas alocadas depende sempre do âmbito do projecto. Um dos últimos projectos de SAP teve uma duração de 18 meses, com a participação de uma equipa de 10 pessoas (internas e externas). Existe, no entanto, uma preocupação global com a qualidade da entrega dos projectos de tecnologias de informação, provocada pelas contínuas alterações dos requisitos de negócio. Projectos longos têm também riscos mais elevados, pelo que deve ser sempre decidida com cuidado a melhor estratégia para atingir os objectivos de cada projecto.


Quantos projectos correm em média em simultâneo?
Para se manter uma gestão de projecto eficiente, e que atinja os objectivos definidos (em âmbito, em tempo e em custo), é difícil manter em curso mais de dois projectos em simultâneo.


Qual é o orçamento anual do departamento?
O orçamento está próximo do milhão e meio de euros.


Quais foram os últimos três projectos de TI que desenvolveram? Pode explicar o que fizeram em cada projecto e para que serviu cada iniciativa?

Como exemplos, na área aplicacional, assistimos em 2017 ao Go Live de um grande projecto em SAP, transversal ao grupo, que teve como objectivo a integração dos processos logísticos no ERP corporativo, e ao Go Live do Sistema de Gestão Florestal. Ganhamos robustez, eficiência e fiabilidade no sistema de informação corporativo. Implementamos também o Maximo na Caima, consolidando num único sistema os processos de manutenção das três unidades industriais. Do lado das infra­‑estruturas de TI, também executámos o projecto Office 365 e a migração do email corporativo para a cloud. Finalmente, na área de segurança, implementamos um novo sistema de corporativo, em todos os sites do grupo (grandes e pequenos), que incluiu firewall, VPN e proxy. São exemplos de projectos diversificados e de sucesso, pelos resultados obtidos, que mostram a excelência do trabalho desenvolvido pela equipa de TI.


Que projectos de TI estão a desenvolver actualmente?
São vários. Como exemplo, actualmente estamos a desenvolver as bases para implementação do sistema MOPS na Caima, num projecto que integra elementos da TI corporativa, TI local e elementos da operação. Estamos também a terminar um projecto de gestão de créditos de madeira certificada FSC comum a todo o grupo, desenvolvido em SAP.

Para garantir a qualidade de futuros projectos em SAP, Maximo ou SGF executámos também uma actualização dos ambientes QAS destas três aplicações, uma actividade gerida pela nossa equipa e executada em simultâneo por três empresas geograficamente dispersas (Lisboa, Porto e Brasil).

Estamos também a participar activamente no projecto RGPD com a Direcção de Serviços Jurídicos. Estamos, no fundo, a trabalhar em várias frentes, em projectos que podemos considerar mais de negócio do que de tecnologia.

  • Direcção de Tecnologias de Informação da Altri
    Direcção de Tecnologias de Informação da Altri

    Em que direcção está a evoluir tecnologicamente a infra­‑estrutura?
    Para alcançarmos um nível elevado de automação e integração de toda a cadeia de valor, a própria organização de Tecnologias de Informação terá de passar por uma transformação evolutiva, que passe pela Consolidação, Normalização, Simplificação e Automatização dos processos, aplicações e sistemas corporativos, para que os processos e os serviços de TI sejam entregues de forma fluida e eficiente. “Uma longa caminhada começa sempre por um pequeno passo” e este será o da Consolidação – de sistemas, aplicações e processos, que prevemos iniciar já este ano.


    Como pretendem complementar a vossa infra­‑estrutura tecnológica?
    Queremos que os nossos sistemas e serviços de TI sejam resilientes e que mantenham uma disponibilidade próxima dos 100%, contribuindo assim para cumprir a missão da organização: “Fornecer pasta de eucalipto, produzida de forma económica e ambientalmente sustentável, satisfazendo os requisitos e as expectativas dos nossos clientes.”


    Que projectos pretendem desenvolver em 2018 e em 2019?
    Como primeiro objectivo, em 2018 estamos a consolidar e a estabilizar os últimos grandes projectos terminados em 2017 – projecto SAP (processos logísticos) e SGF (processos da Altri Florestal). Haverá também sempre pequenos projectos, alguns dos quais já referi anteriormente – como o MOPS, a gestão de madeira certificada FSC ou o RGPD (promovendo, por exemplo, a criação de uma política de segurança corporativa). E estamos também a analisar projectos para garantir o cumprimento da IFRS16 ou a ampliação do portal PAYGEST a outras empresas (para gestão de salários, formação, despesas e férias).

    Estamos também a analisar a viabilidade e o âmbito de outros projectos, sempre com o objectivo de aumentar a robustez do sistema de informação, obter vantagens competitivas ou garantir inovações organizacionais. Um sistema de business intelligence que complemente a informação gerada pelo OPP e que disponibilize a informação de uma forma mais tempestiva, ou a criação de um SOC – Security Operations Center 24×7 que aumente o nível de segurança, por exemplo.


    Como estão a caminhar para introduzir a indústria 4.0 no grupo?
    A Indústria 4.0 pode ser fundamental no desenvolvimento de soluções para os desafios que o grupo enfrenta. Ela baseia-se em cinco pilares que, quando combinados, permitem às empresas aproveitar a evolução das tecnologias de informação e telecomunicações dos últimos 20 anos. Esses cinco pilares são equipamentos inteligentes; redes e conectividade; integração da cadeia de valor; produtos inteligentes e análise de dados.

    A inovação resultante desta revolução pode influenciar não apenas processos, serviços e produtos, mas também permitir a criação de novos modelos de negócio.

    Acredito que a equipa de TI possa dar um forte contributo de forma directa a alguns destes pilares e colaborar indirectamente noutros, conjugando o conhecimento acumulado dos processos de negócio da indústria de pasta de papel com o conhecimento natural em TI.


    O que é que está a ser feito para melhor a operação das fábricas?
    Estamos a participar activamente no projecto Optimization of Process Performance (OPP), resultante da parceria da Altri com a Andritz. Esta iniciativa visa melhorar a eficiência operacional numa das fábricas do grupo.

    O sucesso deste projecto abrirá seguramente portas a outras iniciativas do género, baseadas em sensores inteligentes e em machine learning.


    Como pode a indústria 4.0 ajudar a actividade da Altri?
    Quando pensamos no potencial de aplicação da Indústria 4.0 na cadeia de valor da indústria florestal e da pasta de papel, existem muitas oportunidades.


    O que é que está a ser feito para harmonizar os sistemas de informação?
    Estamos a fazer um levantamento dos diferentes sistemas, serviços e aplicações nas três unidades fabris com sistemas de data center, tendo em vista a máxima consolidação possível. Gerir em ambientes distintos em triplicado – do licenciamento até à gestão de backups, passando por bases de dados, servidores e storage – dificulta a nossa actividade e coloca problemas de obsolescência que só se resolvem também com investimento em triplicado. Isso desvia recursos que poderíamos direccionar para actividades de maior valor acrescentado para o negócio. No fim deste levantamento, ficaremos com um road map que nos permitirá decidir pela melhor estratégia a seguir para aumentar a robustez e a eficiência dos sistemas de informação.

    Esta consolidação já existe em algumas aplicações – SAP e Maximo – que podem servir como exemplo de boas práticas de harmonização. Existem outras áreas ainda por explorar, como Recursos Humanos, alguns sistemas de gestão de informação industrial, ou a área de gestão de laboratórios; nesta última, apesar de a aplicação ser a mesma, existem três servidores aplicacionais e bases de dados distintos.


    A diferença de sistemas existentes causa alguma entropia na qualidade de dados de gestão?
    Não havendo ainda uma clara consolidação, gera dificuldades no acesso à informação consolidada, seja ela administrativa, financeira ou operacional. A informação é gerada com mais recursos – tempo e pessoas. Também cria ineficiências nos nossos parceiros, com a existência de diferentes contactos, diferentes portais, diferentes repositórios de informação. Há outro aspecto relacionado com a dificuldade de criação ou alteração de processos internos ou serviços (diferentes interlocutores, diferentes sistemas, diferentes parceiros) e, por último, dificulta a segurança da informação – pela existência de mais pontos de ataque e dispersão/replicação da informação sensível. A Altri está consciente do caminho que é necessário percorrer, de que é difícil mas estratégico para fortalecer cada vez mais o nosso grupo.