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Mulheres marcam o caminho da igualdade na Altri

A Altri é uma empresa genuinamente preocupada e comprometida com princípios de igualdade de oportunidades, e de inexistência de comportamentos discriminatórios – seja de género ou de qualquer outra natureza – e atribui verdadeiro valor ao papel das mulheres em funções de liderança. Para a Altri a diversidade é um fator diferenciador, que contribui para o equilíbrio das decisões que, ao refletirem todos os pontos de vista, para além de equilibradas, serão assertivas.
Mais do que nunca, chegou o momento de dar voz às mulheres!

O caminho ainda é longo, mas está a ser percorrido. O tema da diversidade de género não surgiu na Altri por efeito ou consequência da lei das quotas. Desde há largos anos que a gestão de topo da ALTRI tem vindo a considerar que a diversidade é essencial a uma organização diversa e plural, pelo que, já desde 2009 que integra mulheres no seu órgão de gestão e, já no mandato que se iniciou em 2014, contava com um terço de mulheres na composição desse órgão, sem que houvesse qualquer imposição legal a determiná-lo. A Altri orgulha-se deste caminho sobretudo porque o começou a trilhar numa época em que o tema da diversidade de género não era um tema tão central no debate político e social e, ainda, num setor industrial onde historicamente predomina o género masculino.

Em 2021, o Grupo Altri deu novos passos sólidos no aprofundamento do seu compromisso com a igualdade de género através da adesão à iniciativa Target Gender Equality, um programa da United Nations Global Compact. A Altri tem em vigor um Plano para a Igualdade que, nos termos legais aplicáveis, revê anualmente. A revisão levada a cabo em 2021 foi transversal e profunda, tendo resultado num reforço significativo dos seus compromissos com iniciativas que promovam ainda mais a igualdade de género, sempre de forma muito alinhada com as mais recentes guidelines, nacionais e internacionais, nomeadamente as emitidas pela Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego.

Os objetivos que a Altri preconiza com o aprofundamento das medidas são claros: fomentar cada vez mais uma efetiva igualdade de tratamento e de oportunidades entre mulheres e homens, promover a eliminação da discriminação em função do género e, com isso, alcançar a conciliação entre a vida pessoal, familiar e profissional, tão essencial ao equilíbrio físico e emocional de todos nós.

O que nos têm a dizer as mulheres que trabalham num setor de atividade industrial que está fortemente conotado com funções geralmente atribuídas a homens? Como não é possível ouvir neste espaço as histórias das 115 mulheres que trabalham na Altri, demos voz a 12 mulheres que representam os rostos da mudança e que dão o seu testemunho.

Andreia Diogo, Técnica de Serviços Gerais na Biotek
Andreia Diogo, Técnica de Serviços Gerais na Biotek

Andreia Diogo, Técnica de Serviços Gerais na Biotek, acredita que, nas últimas décadas, foi possível observar uma diminuição da discriminação contra o género feminino. “Finalmente, os mitos sobre a incapacidade de equilibrar a família e a carreira foram desacreditados”, diz. Andreia Diogo é da opinião que ao longo do tempo foram-se esbatendo ainda as barreiras de acesso ao ensino ou ao mercado de trabalho apesar de ainda se assistir, no seu entender, a uma desigualdade no acesso a remunerações idênticas ou acesso a cargos de liderança. “Não é difícil tropeçarmos em títulos na comunicação social como: ‘Portugal tem uma das maiores desigualdades salariais entre géneros’ ou ‘Porque há poucas mulheres nos conselhos de administração?’. Refletindo sobre estas questões, a Técnica de Serviços Gerais na Biotek, acredita que o problema fulcral está no setor social, o setor em que se verificam salários muito baixos quando comparados a outros setores. “Na nossa sociedade, o papel da mulher está muito associado à educação e, apesar de haver cada vez mais mulheres licenciadas e mais mulheres a fazer doutoramentos do que homens a área em causa parece, na minha opinião, ser um problema”.

Raquel Campos Rosado, Responsável de Qualidade e Segurança e Coordenação de Projetos na Altri Florestal, refere que “somos o resultado de influências várias enquanto pessoas e enquanto mulheres”, e justifica a afirmação sublinhando que “a família e a sociedade que nos rodeia e com quem estabelecemos relações de cariz diverso, desempenham um papel primordial, a par da formação e crescimento individual que cada ser humano desenvolve autonomamente, nas escolhas e decisões que tomamos ao longo da nossa vida”.

Raquel Campos Rosado, Responsável de Qualidade e Segurança e Coordenação de Projetos na Altri Flotrestal
Raquel Campos Rosado, Responsável de Qualidade e Segurança e Coordenação de Projetos na Altri Flotrestal

O que serviu e serve de inspiração a Raquel Campos Rosado é o exemplo das mulheres da família que maior impacto tiveram no seu desenvolvimento, pelo facto de privilegiarem uma grande liberdade responsável, fomentando a curiosidade e a compreensão do mundo nas diferentes formas de ser pessoa. “O contacto com múltiplas e por vezes antagónicas opiniões ajudaram-me a crescer e a construir as minhas opções enquanto mulher”.

A responsável da Altri Florestal espera que da mesma forma que as mulheres que a rodeiam são uma referência e uma fonte de inspiração, também espera conseguir transmitir aos seus filhos os valores de respeito, tenacidade e tolerância, não obstante o género.

É URGENTE EXISTIREM AS MESMAS OPORTUNIDADES PARA TODOS

Ângela Fernandes, responsável do Serviço de Segurança e Saúde no Trabalho na Caima, acredita que o caminho para empoderar as mulheres é dar-lhes as mesmas oportunidades que aos homens em cargos de liderança. “É não fazer discriminação às mulheres com filhos pequenos, pois a sociedade precisa de crianças para crescer”. A técnica superior fala em dar às mulheres novas competências e a mesma oportunidade de progressão na carreira atingindo os mesmos níveis de salários que os homens. “Tudo isto possibilita que as mulheres cada vez mais ocupem com sucesso, cargos de liderança nas empresas”.

Ângela Fernandes, responsável do Serviço de Segurança e Saúde no Trabalho na Caima
Ângela Fernandes, responsável do Serviço de Segurança e Saúde no Trabalho na Caima

Para Daniela Rocha, Chefe do setor de Sistemas de Gestão na Celbi, a educação é um dos fatores fundamentais para a promoção da igualdade e para empoderar as mulheres a ocuparem cargos de liderança. Quer nas escolas, quer nos lares, quer dentro das próprias organizações, Daniela Rocha entende que deve ser passada a mensagem que as mulheres são tão válidas como os homens em posições de chefia. “Quanto mais depressa for passada esta mensagem, mais depressa se conseguirá uma mudança de mentalidade”.

Daniela Rocha, Chefe do setor de Sistemas de Gestão na Celbi
Daniela Rocha, Chefe do setor de Sistemas de Gestão na Celbi

A engenheira industrial lamenta que, historicamente, desde crianças, as mulheres sejam educadas para desempenhar na sociedade os papéis de esposa e mãe e responsável pelas tarefas domésticas do lar. “Esta mensagem incute nas mulheres a ideia de que não conseguirá cumprir com o papel que lhe é exigido pela sociedade se pretender ter uma carreira de sucesso. Para além disso, aquelas que tentam realizar ambos os projetos (carreira e família) de forma simultânea, percebem muitas vezes que o mercado de trabalho é pouco flexível”.

A mudança passa, assim, por eliminar os estereótipos sociais ligados aos papéis femininos e masculinos e à organização da vida familiar na educação, nas escolas e nos lares. “É importante passar a mensagem de que as sociedades mais inclusivas beneficiam com a participação das mulheres na vida laboral, social, política, aumentando o seu desenvolvimento e criando riqueza”.

Daniela Rocha acredita, por isso, que a educação nas organizações passa por demonstrar as vantagens da liderança no feminino, visto estar comprovado que esta liderança tem impacto na rentabilidade e competitividade das empresas. “Para além disso, é fundamental exigir dos seus líderes, a implementação de políticas de igualdade de género claras que estimulem e motivem as mulheres a ocuparem cargos de liderança”.

GRUPO ALTRI DÁ EXEMPLO

Diana Machado, Coordenadora de Remunerações e Benefícios da Celbi, não tem dúvida que o caminho a seguir para empoderar as mulheres a ocuparem cargos de liderança é o que se vive no Grupo Altri. “Sabemos que trabalhamos numa empresa que respeita e valoriza as mulheres pelas suas capacidades e competências, que reconhece a importância e o valor do equilíbrio dos géneros nos postos de trabalho. Trabalhamos num Grupo onde percebemos que temos as mesmas possibilidades de crescimento profissional, onde a escolha é feita por mérito, competência e responsabilidade”.

Diana Machado, Coordenadora de Remunerações e Benefícios da Celbi
Diana Machado, Coordenadora de Remunerações e Benefícios da Celbi

E apesar de considerar que ainda vivemos numa sociedade com pensamentos machistas, alerta que cabe a cada um de nós fazer a sua parte para que esta “educação” se esbata dia após dia. “Liderar no feminino é confiarmos em nós próprias, aceitar as dificuldades como desafios e enfrentá-los. É criar o nosso propósito”.

No seu testemunho, Joana Ferreira, Técnica de Processo da Celbi, classifica como “desafiante” liderar no feminino – vê a liderança como a combinação entre aptidão e atitude. “As aptidões podem ser aprendidas e melhoradas com o tempo, devendo para isto a organização garantir oportunidades iguais, mas a atitude depende apenas de cada um”. Quanto aos maiores entraves, diz continuarem a ser a postura e o modo como as próprias mulheres e a sociedade continuam tendencialmente a olhar para a “figura materna” de forma mais vulnerável. “Com competência, dedicação, atitude pró-ativa e capacidade de decisão penso que essa barreira pode ser ultrapassada de forma consistente”.

LIDERAR NÃO TEM GÉNERO

Liderar não tem feminino nem masculino, esclarece Maria João Loureiro, Técnica Florestal da Altri Florestal. Liderar é, na sua opinião, ser modelo, ser genuíno, saber escutar e saber motivar e cooperar. É ainda consistência e ser flexível perante pessoas, objetivos e desafios. É respeitar as diferenças e estimular a riqueza da diversidade humana, assim como é um compromisso e criatividade. Nas palavras de Maria João, liderar é a constante humildade em equilíbrio com firmeza de carácter, sendo um desafio ao desenvolvimento pessoal e das equipas com que se trabalha.

Maria João Loureiro, Técnica Florestal
Maria João Loureiro, Técnica Florestal

Quanto às características profissionais e pessoais que constituem uma mais-valia das mulheres, a Técnica Florestal acredita que “a igualdade pressupõe que não existem diferenças entre homens e mulheres para além das que são inerentes às devidas especificidades biológicas”, aponta como fator de diferenciação as competências técnicas, o compromisso com a organização a que pertencem, responsabilidade, honestidade, flexibilidade, empreendedorismo, cooperação, espírito de equipa e competências sociais.

Rita Rodrigues da Silva, Engenheira de Manutenção da Biotek, destacou no seu testemunho que a igualdade de género é um tema que está cada vez mais presente no nosso dia a dia, seja nas notícias, nas redes sociais ou nos nossos locais de trabalho, através de ações de sensibilização internas como o Plano para a Igualdade Altri 2022. “Mas será que todos sabemos o que significa concretamente? Ou porque se continua a lutar pela igualdade quando a nossa Constituição reconhece os mesmos direitos a homens e mulheres?”.

Para esta engenheira, em Portugal, alcançar a paridade de género é um trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, mas “a (des)igualdade continua a traduzir-se no menor acesso por parte das mulheres a posições de liderança, na maior dificuldade em compatibilizar a vida profissional e familiar e nos níveis salariais mais baixos, sendo estes alguns dos principais entraves ao caminho para uma sociedade mais justa e igualitária”.

Sofia Reis Jorge, Diretora de Sustentabilidade, Risco e Comunicação da Altri
Sofia Reis Jorge, Diretora de Sustentabilidade, Risco e Comunicação da Altri

Também Sofia Reis Jorge, Diretora de Sustentabilidade, Risco e Comunicação da Altri, é da opinião que a liderança não tem género. “Um líder, independentemente do género, é muito facilmente reconhecido numa organização, mesmo não tendo pessoas na sua dependência hierárquica”. Aliás, a diretora diz mesmo que a liderança não está ligada à hierarquia. “Pelo contrário, um líder é quem influencia ainda que inconscientemente, quem inspira comportamentos e quem é de alguma forma um modelo. Todos temos exemplos de excelentes líderes à nossa volta, seja em casa ou no trabalho”. Sofia Reis Jorge diz que reconhece um líder quando, entre outros, o mesmo transmite confiança, margem para arriscar e por vezes errar, tem disponibilidade para ouvir e motivar a equipa. “Muito importante também é dar espaço para outros líderes crescerem. É verdade que, as mulheres na generalidade, têm algumas características que lhes dão alguma diferenciação, nomeadamente a orientação para as pessoas, a capacidade de gerir temas diversos ao mesmo tempo, a predisposição à mudança, o predomínio do emocional e da inclusão”.

UM ORGULHOSO CAMINHO

No Grupo Altri, Sofia Reis Jorge defende que tem vindo a ser feito um caminho do qual se devem orgulhar, sendo um dos compromissos para 2030 duplicar o número de mulheres em cargos de liderança. “À partida parece pouco ambicioso, mas tendo em conta que a nossa atividade core é industrial e historicamente com grande prevalência de colaboradores do género masculino, é um compromisso que exige um planeamento a longo prazo e um foco grande na contratação de jovens do género feminino que possam ser as líderes de amanhã com as mesmas oportunidades dos seus pares do género masculino”.

No decorrer da sua carreira, já de 25 anos em empresas do Grupo Altri, Sofia Reis Jorge garante nunca se ter sentido verdadeiramente diferente por ser mulher. “Cresci como pessoa e como profissional sempre a olhar para a frente e agarrando com ânimo os desafios que me foram sendo colocados, fui caindo e fui-me levantando sempre com mais força e vontade de continuar”. 

ENGENHARIA AINDA CAPTA MAIS HOMENS

Em relação à Biotek, Rita Rodrigues da Silva, que desempenha funções no departamento de Manutenção, é, neste momento, a única mulher. Porquê? “Acredito que sendo a engenharia uma área tradicionalmente mais masculina, apenas nas últimas décadas as mulheres começaram a ingressar em cursos e formações necessários no âmbito industrial. Apesar das vantagens das equipas mistas serem uma realidade, o próprio mercado de trabalho sente dificuldades em recrutar mulheres de forma a combater esta lacuna nas empresas”.

Aliás, a engenheira explana que enquanto crianças aprendemos através do que vemos e ouvimos. “A característica básica humana, a linguagem, é desenvolvida através da imitação. Uma palavra é dita e a criança repete. Paralelamente, exploramos também o movimento e através do exemplo aprendemos a andar. Na Europa, as mulheres representam 34% dos cargos de gestão, 28% dos membros de direção e 18% dos administradores seniores. Nos departamentos de manutenção a percentagem aproxima-se de 3%. Costuma dizer-se que temos de “ver para crer” mas é tempo de pensar que também temos de ver para querer”.

Por isso, continua Rita Rodrigues da Silva, mais do que investir em planos é necessário investir nas pessoas porque só através da (re)educação se pode mitigar o preconceito, muitas das vezes inconsciente, e mudar mentalidades. “Para que possamos alterar o paradigma também é necessário interiorizarmos que a igualdade de género é um problema de todos, não apenas das mulheres. Como poderemos mudar efetivamente o mundo quando apenas metade de nós somos convidados a participar neste debate?”, questiona.

Raquel Almeida, Diretora Industrial na Caima
Raquel Almeida, Diretora Industrial na Caima

Raquel Almeida, Diretora Industrial na Caima, sobre a mesma temática das características profissionais e pessoais que constituem uma mais-valia das mulheres, destacou o foco nas pessoas e na equipa. “As mulheres são sociáveis, expressivas, comunicadoras e próximas, o que é muito favorável para conseguirmos o compromisso das pessoas dentro da organização e assim alcançarmos os objetivos, sem nunca descurar o foco nas pessoas, sempre com preocupação em orientá-las e potenciar o seu desenvolvimento profissional”. Em geral, salienta Raquel Almeida, “as mulheres tendem a procurar que todos participem para encontrar as melhores soluções, e assim potenciar o trabalho em equipa”.

Outro aspeto enfatizado pela diretora industrial da Caima foi o multitasking, “esta capacidade inata de pensar e agir em muitas direções ou temas ao mesmo tempo, representa uma grande vantagem no momento de tomar decisões. Para Raquel Almeida, liderar no feminino é saber gerir pessoas, fazê-las apaixonar-se pelo seu trabalho e ensiná-las a voar sozinhas.

NEM SÓ DO PASSADO SE PRENDE O PRESENTE

A pergunta impõe-se: qual é o maior entrave à Igualdade de género numa organização ou na sociedade?

Patrícia Cardoso, Chefe do Serviço de Sistemas Integrados de Gestão na Biotek
Patrícia Cardoso, Chefe do Serviço de Sistemas Integrados de Gestão na Biotek

Patrícia Cardoso, Chefe do Serviço de Sistemas Integrados de Gestão na Biotek, começa por comentar que Portugal viveu durante décadas um sistema oprimido no que respeita à liberdade. “Na verdadeira aceção da palavra, os portugueses encontraram-se condicionados nas mais diversas tarefas diárias, seja pela falta de liberdade de escolha, expressão ou até de movimento. Tanto em períodos de monarquia, como de ditadura, toda e qualquer intervenção da mulher foi sempre menosprezada em detrimento da influência dominante do homem”. Neste momento, a técnica não tem dúvidas que ainda se sente esse espírito, “reflexo de uma sociedade envelhecida que assistiu e resultou dos tempos do Estado Novo – um regime autoritário, conservador, nacionalista e corporativista”. E apesar da Constituição prever a igualdade de género e de oportunidades, é da opinião que tal não se tem verificado, pelo menos à velocidade que as sociedades mais modernas evoluem, persistindo ainda uma barreira psicológica na sociedade sobre o papel da mulher.

Mas nem só do passado se prende o presente, diz Patrícia Cardoso. “Ao longo dos últimos anos, tem-se verificado um aumento da luta feminina que teima em quebrar todos os paradigmas, ainda que pouco a pouco, mas esperançosamente alcançável”. A técnica relembrou ainda que as organizações mais reconhecidas a nível mundial já começaram a atentar sobre este aspeto, tendo já objetivos bastante específicos. “Hoje, já existem mais mulheres em cargos de liderança, sendo notório o esforço de uma sociedade evoluída, justa e equitativa para todos”.

ECLETISMO E ADAPTABILIDADE

De uma coisa Raquel Rocha Carvalho, Diretora Jurídica da Altri, parece estar certa: nunca sentiu qualquer entrave à igualdade de género. “Cabe-nos a nós, mulheres, adotar uma atitude de liderança no dia-a-dia”, disse a advogada, que admite que a competência das mulheres é o melhor caminho para empoderar as mesmas a ocuparem cargos de liderança.

Raquel Rocha Carvalho, Diretora Jurídica da Altri
Raquel Rocha Carvalho, Diretora Jurídica da Altri

A advogada, que diz nunca ter sentido discriminação de género nem no seu percurso pessoal e académico, nem profissional, aponta como características profissionais e pessoais que representam a mais-valia das mulheres, o ecletismo e a adaptabilidade.

Destaca, aliás, que quando foi contratada para assumir a direção jurídica do Grupo Altri, em 2014, estava grávida, no termo da gravidez e esse facto não representou qualquer entrave ou sequer dificuldade à contratação, o que espelha de forma clara a cultura intrínseca da Altri nesta matéria.

Se fosse CEO por um dia, a medida que sugeria para melhorar a igualdade de género na Altri seria “todos serem CEO por um dia” para todos experimentarem as dificuldades da decisão mas também poderem aplicar a sua visão para a organização. Na questão das quotas de género nas empresas, Raquel Rocha Carvalho esclareceu que nas sociedades cotadas, como a Altri, já existem quotas impostas por lei. “Por vezes a lei tem que abrir caminho para tornar normal uma realidade que a sociedade ainda não reconhece como tal. Penso que a partir daí o passo seguinte seja, como tem que ser –  apenas – o da meritocracia”.

Para a Diretora Jurídica, liderar no feminino é “associar a competência à adaptabilidade, a firmeza à sensibilidade e o foco ao multitasking”.

Sofia Rebola, Diretora de Produção da Celbi
Sofia Rebola, Diretora de Produção da Celbi

Sofia Rebola, Diretora de Produção da Celbi, acredita que o papel da mulher nas empresas em Portugal tem vindo a ser mais valorizado. No entanto, enfatiza que este progresso foi lento, existindo ainda um longo percurso a percorrer. “Do meu ponto de vista, as mulheres possuem atributos essenciais para uma boa liderança: generosidade, harmonia, promovem a comunicação com a equipa, lideram de forma mais participativa e cooperativa, e menos concentrada no líder, têm uma importante capacidade de negociação e resolução de problemas baseada na empatia e racionalidade”.